quarta-feira, 5 de maio de 2010

Emails daqui - Berlin

um sol belissimo la fora. acabei de voltar de um sushi com amigo.
vontade de escrever assim mesmo, ta, em minusculas e sem acento. to de ferias - duas semanas - desde segunda. vim pra ca - berlin - pq daqui sai meu voo hoje pra londres. visitar amigos. passear. ver a cidade numa outra estacao. bacana. tem um esquilos gigantes em st james park, ja foi la? e tem uma velha que leva amendoins pra eles e eles enterram mesmo em algum lugar, pra mais tarde. e eles nao carregam nenhuma culpa por isso. por deixarem coisas pra mais tarde. ou serem precavidos. o que e uma ironia ne, porque de um lado tem uma galera que alerta que os dias mais dificeis estao por vir, que temos que economizar, pensar mais adiante, diploma, carreira, previdencia privada, seguro de vida. do outro lado, algumas pessoas frustradas e outras inspiradoras que gritam que a hora de cair no mundo eh essa, enquanto a gente nao tem condominio nem filho. e da aquela vontade de pegar a mochila e ir embora pra qqr canto. a gente chega acreditar que nao ha mal nenhum que nos pegue. a gente inventa um sonho qualquer, sei la, ser bailarina, e vai. mas as vezes penso que eh tudo meio metade, sabe, que tem essa coisa valente de ir atras do sonho, mas porra, tem aluguel, tem casa, tem contrato, tem danca que nao se quer dancar, tem machucado, fisioterapia, papel amarelo que levar pra diretora, tem que bucar (book) voo, trem, trocar dinheiro, tem que comprar um moletom novo pq ta frio ainda em londres, xampu e creme pequeninos de levar na bagagem de mao, ob, cade meu prendedor de cabelo? tem que fazer caber tudo na mala, tem que ter passporte!!!! nao pode esquecer nada, tem que deixar o dinheiro pro aluguel, levar o lixo lá embaixo, desligar o computador, comer tudo o que tah na geladeira pra nao dar fungo... entende? e que alegria intima eh essa de quando a gente volta pra casa? o que explica a sensacao de alivio de chegar e deitar na propria cama, e saber onde ficam as coisas de limpeza, e onde encontrar seu vinho predileto no mercado sem ter que perguntar a ninguem? como eh que deve ser ir sem realmente ter ideia de quando e pra onde voltar? acho que nunca vou saber. nem sei se quero. so queria dividir essa aflicaozinha de pessoinha. humaninha. nada demais. amanha passa. amanha to em londres sabendo que semana que vem volto pra casa e pro trabalho e pro meu vinho na ala esquerda do mercado, atrás da secao de produtos de limpeza, na prateleira do meio, na parede da direita.
tinto, seco e italiano.

beijo.
me fala de voce.

3 comentários:

  1. Há um bom tempo vc era alguém com quem eu gostava de falar, talvez não de falar, mas de ver, assistir. Esta eterna representação de mundo que é você. Mundo de artista, mundo de mulher, mundo de criança da terra do nunca, mundo de quem tem nos olhos que conhece boa parte da maldade do mundo, mas não quer se corromper - mesmo se corrompendo as vezes. Dói, não Nina? É difícil carregar os mundos e as personagens...eu sei bem. Vc percebe isso em vc? Que nossas dores são inventadas? Cabeças, pés e pernas. Nada. Tudo o que existe fora são meras distrações para o que acontece dentro. Dores. Quanto mais dor, mais amor? Eu enlouqueci, mas finjo que não. Vc é artista, sua loucura, sua farsa é perdoada. A minha é amaldiçoada. Voltar, voltar e voltar. E fazer o que? Não ter feito? Ter feito diferente? Não quero os sentimentos e a vida diferente. Talvez queira novas chances, talvez queira novamente as velhas chances. Não sei. Dor. É o tanto de amor que carrego, cujo peso me esmaga e mal posso respirar. Hoje sonhei que estava num penhasco e lá embaixo o mar. E alguém (apenas uma mão) me oferecia uma flor seca, azul, dentro de um saquinho e me dizia que ali era tradição (?!) pegar aquela florzinha, atirar do penhasco e fazer um desejo. Quando peguei aquela florzinha seca na mão ela voltou a vida. E meu desejo foi ter meu amor de volta. Vc que dizia que não era amor. Diz pra mim que era. Pois, não existe dor assim, que enlouquece e nem morfina faz passar, que não seja pelo Amor. Por Aquela única pessoa que encontramos na vida e justifica esta palavra ter sido inventada: Amor.

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  2. Pois é, como tudo na vida.....PODE SER SORTE, PODE SER AZAR. DEPENDE DO OLHAR....A aventura , a enquietude, a curiosidade,a LIBERDADE, nos dão um poder agradável mas uma adrenalina as vezes incômoda....O destino certo, o refúgio, o saber amanhã nos dão aconchego, conforto, dormir de conchinha....Qual o melhor ?? Vai saber....Depende de quem, como, quando, onde...Sei lá...Só sei que é preciso experimentar, sempre que possível e com a maior paixão que possa haver. As dores e perdas que ficarem, não fiquem com mágua mas sim como experiência que nos melhore o olhar, o coração...

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  3. Rogério Machado - ???????????????????????

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