domingo, 15 de maio de 2011

Nordhausen

Meu amor lindo! Neném loirinho da minha vida!
Eu te amo aqui de longe, tão apertado!
Amor que nasceu pegado, escolhido, a dedo catado.
Despercebido. Amor crescido à entrega. Ousadia consentida,
consciência plena do mar imenso e plano onde existimos.
Desplanejado encontro despojado, acaso brincalhão
não deixou quieta uma amizade grande de ilha, de anos atrás
Resgataram-se semi-náufragas as amizades noutra ilha grande,
agora maiores, eternizadas numa união ímpar de um par considerado,
inesperado, mas não surpreendente, só o depois, o que se assentou, o que se acertou,
o que se acertaram, o que se fizeram, fizeram bem, melhor assim: pair feito!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nordhausen

Existem sim essas pessoas que nunca deixei de amar.
Que ainda amo.
Amo, num lugar tácito onde correm soltas imagens de como poderia ter sido. Correm soltas imagens do que fora amor e não disse, do que fora amor e não me deram, do que fora amor e não sabia, do que fora amor porque invento, do que fora amor por ser bonito, do que fora amor só por ter sido, do que fora amor por ter perdido.
Projetar o inexistente, o impossível, é satisfazer uma curiosidade que não tem esperanças. Não é desonesto ou infiel, é íntimo.
Saber se haveria mais cafés na varanda, mais esperas na calçada, mais pinturas nas paredes, mais poesias cantadas... Meu Deus, como eu queria! De vez em quando, voltar no tempo, ter mais um dia, o mesmo dia que fosse. Que fosse acabar, e eu soubesse onde: aqui, onde estou, a olhar pra pra essas imagens de um lugar que construo com as mãos, e o olhar na vida que segue. Porque eu acredito que nostalgia é inerente ao ser que caminha vivendo, ou vive caminhando, mas nunca uma coisa sem a outra.