sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Nebulosa 64 - emails daqui

Olha...
eu vou começar assim mesmo porque sou chegada numa introdução.
eu tenho uma coisa: eu me permito. sempre. eu me permito ao que me dá vontade. eu me permito ouvir, arriscar, falar, sentir, sofrer, rir, faltar o trabalho...
agora aqui nesse email eu to me permitindo pagar um mico enorme ao dividir uma coisa com você.
Já tem um tempo que você mora em mim. de uma maneira diferente de outras pessoas que moram em mim. muitas pessoas moram em mim e isso é privilégio. agora... olha, eu to querendo dizer que to gostando de você. que queria que fosse assim que nem em filme, sabe, que vc chegasse e dissesse: oh, meu, não vai pra são paulo, não, fica aí mais um pouco, vamos ver qual é. ou não tendo dado certo são paulo, como não deu, vc dissesse: fiz pensamento positivo pra não dar certo. sabe? assim como quem se importa mesmo, como quem gosta mesmo, que no fundo quer pra si. Esse negócio é bem assim até que se ache o encaixe, que se amoleçam as soldas, a medida que as flexibilidades vão aparecendo, as conversas, a cumplicidade e aí é que é maneiro mesmo, né, vc deve estar careca de saber, que é quando a gente tem sem precisar carregar, é quando a gente vê a coisa caminhar sozinha e pra muitos cantos e de longe se reconhece como algo que você criou e dá vontade, dá orgulho porque é de uma beleza cantada, de uma liberdade... de um ar que não cabe no peito... um sorriso gigante só de se saber parte, se saber responsável..
olha, eu sei muito que esse email não vai te trazer ao pé da minha janela com violão na mão numa madrugada de terça-feira. mas eu queria. mesmo. e se tem alguém que tinha que saber disso, né... bom. na verdade, vc já me disse e domonstra que o efeito contrário é o fato. mas eu preciso dizer porque o que tenho aqui dentro é seu, po, e acho que voce tem que participar de alguma maneira. e olha, esse email ta cheio de coisas boas, leves, claras e até cítricas. Porque tem aquele barulhinho que eu faço entredentes quando chupo uma fruta cítrica bem azeda que é o mesmo barulhinho que eu faço entredentes quando você lambe meu pescoço ou morde meu braço, ou pega meu cabelo com mais mão ou... enfim, limão.

eu nao to te escrevendo isso pra ver colé. eu entendi, adoro surpresas, ok, mas entendi. eu te escrevo porque esse lance de você morar em mim como mora é muito bonito e você merece tudo de mais bonito no mundo. :)

um beijo de carinho,

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Curitiba

Voltar de viagem é sempre bom. Casa. Meu quarto, minhas coisas, meu universo todo em 4x4. Metros. Menos que isso até.
A mala sempre parece mais cheia na volta. É solidão que vem mais densa. Voltar é sempre mais solitário do que ir. Ir sozinha é sempre menos triste que voltar sozinha.
Há dois anos moro em Curitiba e há dois anos as pessoas passam. Eu não consigo retê-las, detê-las. Tudo o que fica é lembrança e saudade e pensar que a minha vida vai ser sempre isso me dá um desesperozinho, uma tristeza fina lá no fundo. É quase poético. O problema é que antes de escrever, eu sinto.