Meu quarto fica mais aconchegante ainda com La Vie En Rose da Edith Piaf.
Contrastando com meu quarto - como se já não fosse suficiente tudo em mim constrastar, agora o entorno - minha alma barulhenta e inquieta.
Essa vontade de verão! De viver isso que tá imenso aqui dentro. Sair no frio mesmo, na neblina, apaixonada, feliz da vida por ele estar bem! Por estar lindo e parecido demais com alguém que esqueço. Como se não bastasse o sarcasmo e a ironia, agora ele tem também a barba dos homens que têm barba, e os dentes pequenos, que sempre foram pequenos, mas que hoje eram pequenos como os de uma criança. Infantis como de uma criança. De uma criança infantil.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Emails daqui - Nordhausen
Oi mama!!!
A estréia foi simplesmente fantástica!!!! Perfeita!!! O público AMOU!
Eu me saí MUUUUITO bem! To super feliz e agora é seguir trabalhando pra manter a qualidade.
Robert e seus pais vieram, veio tb a ex-nora da Karin com sua filha Gustie e o novo marido. :) Em plena Alemanha, menos de dois meses de trabalho, eu já tive pessoas que vieram especialmente por mim. Mais do que em qualquer show que tive em Curitiba! hahahaha
Daí teve festa no restaurante do teatro depois, eu tava muuuito bem vestida (hahahah como estou vaidosa, meu Deus, grandes merdas), não sei se há fotos, mas posso procurar com alguém. De lá fomos para um bar (4 da manhã!!) e saímos de lá Às 6h. Frau e Herr Kaden foram pro hotel logo depois de comerem algo no restaurante do teatro, depois da apresentação. Eu e Robbie viemos pra minha casa e ficamos conversando sobre tudo até amanhacer o dia. Falamos sobre nós, sobre a vida... Não estamos juntos, não acho que ficaremos juntos. Eu estou muito determinada a seguir meu rumo por enquanto sozinha. Acho que talvez eu esteja desistindo de envolver pessoas. Talvez eu esteja aprendendo que não se deve envolver ninguém, que envolvimento talvez seja coisa natural, que se dá e se desfaz como as dunas ao sabor do vento. às vezes não tão voláteis os envolvimentos, certo, às vezes são mais como rochas no mar, mas o movimento da vida desgasta até as rochas. De tanto a água bater, um dia ela não mais existirá, não é isso? E ainda sim o mar seguirá passando por ali.
Sei lá. Mas não chamo isso de pessimismo. É só que eu sou da gira demais pra querer a responsabilidade de carregar alguém junto nessa. No momento tenho preferido chorar de solidão do que chorar por ter de abandonar alguém ao fim de um percurso.
Vamos ver o que a vida me traz. Eu sou nova, né? Eu tenho tempo. Apesar de achar que vou morrer aos 30 e poucos anos. E se isso acontecer, não sendo com dor, não acho mal. Claro eu gostaria de viver e experienciar mais coisas, mas como sofrer a falta do que ignoro? :) só filosofia barata. Eu sei que no fundo, sou feita de expectativas. Não menos humana que qualquer outra pessoa, mas sonhos e projeções circulam em minhas veias ao invés de sangue. Eu sou um paradoxo. E eu começo a acreditar que toda essa poesia sobre mim mesma, todo esse blá blá blá que te escrevo, mãe, ele serve muito mais pra mim do que pra vc. É puro egoísmo. É por egoísmo que compartilhamos coisas. Será? No final das contas, escrevendo, sou eu a primeira pessoa a ler e o email nem é endereçado a mim. Isso quase é uma falta de educação tremenda! :)
Bom, deixa pra lá. Só te pesso que, se eu morrer, você fale sobre sua filha poeta. Sobre sua filha leitora de pessoas. Sobre sua filha amante do nascer do sol ainda que por trás das nuvens. Amante do despertar e do adormecer depois de mais um dia de vida. Eu sou feita de segundos, mãe, e em cada um deles, trago uma felicidade e uma tristeza que às vezes nem percebo e nem têm nome. Mas essas felicidadezinhas e tristezinhas, elas me fazem seguir batendo nas rochas, virando espuma, pulando alto, avançando praia, recuando oceano, cheia de peixes e algas dentro e tudo aquilo de mais profundo onde nenhum ser humano pôde chegar. Quem tentou, morreu. Quem não tentou, no entanto, não faz idéia do que pode cruzar no caminho. Eu sou um "pegar ou largar".
Exatamente como o mar.
Um beijo de amor.
sua filha
eu.
A estréia foi simplesmente fantástica!!!! Perfeita!!! O público AMOU!
Eu me saí MUUUUITO bem! To super feliz e agora é seguir trabalhando pra manter a qualidade.
Robert e seus pais vieram, veio tb a ex-nora da Karin com sua filha Gustie e o novo marido. :) Em plena Alemanha, menos de dois meses de trabalho, eu já tive pessoas que vieram especialmente por mim. Mais do que em qualquer show que tive em Curitiba! hahahaha
Daí teve festa no restaurante do teatro depois, eu tava muuuito bem vestida (hahahah como estou vaidosa, meu Deus, grandes merdas), não sei se há fotos, mas posso procurar com alguém. De lá fomos para um bar (4 da manhã!!) e saímos de lá Às 6h. Frau e Herr Kaden foram pro hotel logo depois de comerem algo no restaurante do teatro, depois da apresentação. Eu e Robbie viemos pra minha casa e ficamos conversando sobre tudo até amanhacer o dia. Falamos sobre nós, sobre a vida... Não estamos juntos, não acho que ficaremos juntos. Eu estou muito determinada a seguir meu rumo por enquanto sozinha. Acho que talvez eu esteja desistindo de envolver pessoas. Talvez eu esteja aprendendo que não se deve envolver ninguém, que envolvimento talvez seja coisa natural, que se dá e se desfaz como as dunas ao sabor do vento. às vezes não tão voláteis os envolvimentos, certo, às vezes são mais como rochas no mar, mas o movimento da vida desgasta até as rochas. De tanto a água bater, um dia ela não mais existirá, não é isso? E ainda sim o mar seguirá passando por ali.
Sei lá. Mas não chamo isso de pessimismo. É só que eu sou da gira demais pra querer a responsabilidade de carregar alguém junto nessa. No momento tenho preferido chorar de solidão do que chorar por ter de abandonar alguém ao fim de um percurso.
Vamos ver o que a vida me traz. Eu sou nova, né? Eu tenho tempo. Apesar de achar que vou morrer aos 30 e poucos anos. E se isso acontecer, não sendo com dor, não acho mal. Claro eu gostaria de viver e experienciar mais coisas, mas como sofrer a falta do que ignoro? :) só filosofia barata. Eu sei que no fundo, sou feita de expectativas. Não menos humana que qualquer outra pessoa, mas sonhos e projeções circulam em minhas veias ao invés de sangue. Eu sou um paradoxo. E eu começo a acreditar que toda essa poesia sobre mim mesma, todo esse blá blá blá que te escrevo, mãe, ele serve muito mais pra mim do que pra vc. É puro egoísmo. É por egoísmo que compartilhamos coisas. Será? No final das contas, escrevendo, sou eu a primeira pessoa a ler e o email nem é endereçado a mim. Isso quase é uma falta de educação tremenda! :)
Bom, deixa pra lá. Só te pesso que, se eu morrer, você fale sobre sua filha poeta. Sobre sua filha leitora de pessoas. Sobre sua filha amante do nascer do sol ainda que por trás das nuvens. Amante do despertar e do adormecer depois de mais um dia de vida. Eu sou feita de segundos, mãe, e em cada um deles, trago uma felicidade e uma tristeza que às vezes nem percebo e nem têm nome. Mas essas felicidadezinhas e tristezinhas, elas me fazem seguir batendo nas rochas, virando espuma, pulando alto, avançando praia, recuando oceano, cheia de peixes e algas dentro e tudo aquilo de mais profundo onde nenhum ser humano pôde chegar. Quem tentou, morreu. Quem não tentou, no entanto, não faz idéia do que pode cruzar no caminho. Eu sou um "pegar ou largar".
Exatamente como o mar.
Um beijo de amor.
sua filha
eu.
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