| St Paul's Cathedral |
Oi, João. Eu queria te dizer que sofro de nostalgia. Tenho dificuldade tremenda em deixar o tempo pra trás, as pessoas pra trás, de me olhar adiante. Não sei se é medo de não gostar do futuro, ou só o fato de ser apegada ao passado mesmo. Eu lembro de tudo. E me envergonho de metade dele, confesso. Há uns grandes arrependimentos. De ter falado demais, por exemplo. Mas não mais do que ter ouvido demais. A gente aprende cada burrice na vida! E tem necessidade de se jogar, de se arriscar, de ser cretino. Meu Deus, como eu sou equivocada! Ah, sim, porque isso não mudou. Eu temo fortemente, o tempo todo, que tudo isso seja um equívoco. Mas como é que faz? Anda pra trás? Não dá. E dá vergonha pensar que, se desse, eu andava. Até chegar aos meus 17 anos. Foi aos 17 que tudo começou a descabeçar. Que saudade de ter sido apaixonada daquele jeito! Apaixonada por todo mundo! Foi uma galera. Gente, que loucura. Acabei de lembrar do Pedro Vedova. É um amigo por quem também fui apaixonada. Me apaixonei num baile de carnaval, olha que coisa mais chico Buarque! Como era lindo o Pedro Vedova...
Mas isso foi bem depois dos meus 17. Quando eu ainda me apaixonava daquele jeito...
Por que que parece que só pra mim mudou? E por que eu acho que me faria sentir melhor se soubera que pra todo mundo mudou? Eu ainda tenho esse problema adolescente de encaixe, né? Eu sou uma retardada.
Me ajuda, amigo querido. Olha por mim. Estou entediada. Acho que é isso. Preciso de gente, preciso ter pessoas com quem compartilhar, de quem aprender... Pessoas que me mostrem um áudio 3d, me levem à praia às três da manhã, pintem com tinha e pincel no chão do meu quarto, pessoas que me deixem esperando na calçada horas a fio em plena madrugada carioca. Pessoas que me contem das viagens e dos amores. Pessoas que me tragam livros, pessoas que dancem comigo, que me emocionem. Não se preocupe, por aqui está tudo bem. Tão bem que começa a ficar chato.
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