sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Londres - Quarta-Feira, 1º de Fevereiro

St Paul's Cathedral
Ouvindo Som da Rua na volta pra casa. A vontade fodida de voltar no tempo, de não ter feito um monte de merda que fiz, e de repetir umas outras tantas. Transbordando de uma saudade ruim, saudade que não dá pra matar.
Oi, João. Eu queria te dizer que sofro de nostalgia. Tenho dificuldade tremenda em deixar o tempo pra trás, as pessoas pra trás, de me olhar adiante. Não sei se é medo de não gostar do futuro, ou só o fato de ser apegada ao passado mesmo. Eu lembro de tudo. E me envergonho de metade dele, confesso. Há uns grandes arrependimentos. De ter falado demais, por exemplo.  Mas não mais do que ter ouvido demais. A gente aprende cada burrice na vida! E tem necessidade de se jogar, de se arriscar, de ser cretino. Meu Deus, como eu sou equivocada! Ah, sim, porque isso não mudou. Eu temo fortemente, o tempo todo, que tudo isso seja um equívoco. Mas como é que faz? Anda pra trás? Não dá. E dá vergonha pensar que, se desse, eu andava. Até chegar aos meus 17 anos. Foi aos 17 que tudo começou a descabeçar. Que saudade de ter sido apaixonada daquele jeito! Apaixonada por todo mundo! Foi uma galera. Gente, que loucura. Acabei de lembrar do Pedro Vedova. É um amigo por quem também fui apaixonada. Me apaixonei num baile de carnaval, olha que coisa mais chico Buarque! Como era lindo o Pedro Vedova...
Mas isso foi bem depois dos meus 17.  Quando eu ainda me apaixonava daquele jeito...
Quando é que muda? Por que que muda? Por que eu acho que seria patético sair por aí hoje em dia me apaixonando por todo mundo? É patético? Já passou? Já passou. Já passou, Nina, já passou. Metade das pessoas pelas quais você se apaixonou, está casada e com filhos. A outra metade está morta ou quase lá, que bem que te interessava uns homens muito mais velhos. Que bobagem! Cala a boca.
Por que que parece que só pra mim mudou? E por que eu acho que me faria sentir melhor se soubera que pra todo mundo mudou? Eu ainda tenho esse problema adolescente de encaixe, né? Eu sou uma retardada.
Me ajuda, amigo querido. Olha por mim. Estou entediada. Acho que é isso. Preciso de gente, preciso ter pessoas com quem compartilhar, de quem aprender... Pessoas que me mostrem um áudio 3d, me levem à praia às três da manhã, pintem com tinha e pincel no chão do meu quarto, pessoas que me deixem esperando na calçada horas a fio em plena madrugada carioca. Pessoas que me contem das viagens e dos amores. Pessoas que me tragam livros, pessoas que dancem comigo, que me emocionem. Não se preocupe, por aqui está tudo bem. Tão bem que começa a ficar chato.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012



Lugares de Mim
Yuki Doi

domingo, 15 de maio de 2011

Nordhausen

Meu amor lindo! Neném loirinho da minha vida!
Eu te amo aqui de longe, tão apertado!
Amor que nasceu pegado, escolhido, a dedo catado.
Despercebido. Amor crescido à entrega. Ousadia consentida,
consciência plena do mar imenso e plano onde existimos.
Desplanejado encontro despojado, acaso brincalhão
não deixou quieta uma amizade grande de ilha, de anos atrás
Resgataram-se semi-náufragas as amizades noutra ilha grande,
agora maiores, eternizadas numa união ímpar de um par considerado,
inesperado, mas não surpreendente, só o depois, o que se assentou, o que se acertou,
o que se acertaram, o que se fizeram, fizeram bem, melhor assim: pair feito!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nordhausen

Existem sim essas pessoas que nunca deixei de amar.
Que ainda amo.
Amo, num lugar tácito onde correm soltas imagens de como poderia ter sido. Correm soltas imagens do que fora amor e não disse, do que fora amor e não me deram, do que fora amor e não sabia, do que fora amor porque invento, do que fora amor por ser bonito, do que fora amor só por ter sido, do que fora amor por ter perdido.
Projetar o inexistente, o impossível, é satisfazer uma curiosidade que não tem esperanças. Não é desonesto ou infiel, é íntimo.
Saber se haveria mais cafés na varanda, mais esperas na calçada, mais pinturas nas paredes, mais poesias cantadas... Meu Deus, como eu queria! De vez em quando, voltar no tempo, ter mais um dia, o mesmo dia que fosse. Que fosse acabar, e eu soubesse onde: aqui, onde estou, a olhar pra pra essas imagens de um lugar que construo com as mãos, e o olhar na vida que segue. Porque eu acredito que nostalgia é inerente ao ser que caminha vivendo, ou vive caminhando, mas nunca uma coisa sem a outra.

domingo, 23 de maio de 2010

Londres

Como deve ser conseguir aceitar que é possível receber sem sentir se dar. Colocar na mão do tempo o coração cansado de tanto nada que carrega. Deixar ele se encarregar de se recarregar com sentimentos que chegavam a transbordar, sendo um pouquinho verdade, um pouquinho invenção, um pouquinho bobagem, um pouquinho urgente, mas sem nunca descobrir exatamente quanto.
Quão pouco? Quão pouco de cada? Se um pouco mais um pouco transborda... ou tem outra coisa também, ou não sei medir, ou meu coração encolheu. Como é isso?
Foi ficando pequenino que nem os olhos de alguém que tem sono até que adormece.
Como alguém que desiste do filme inédito da tv, no sofá, porque é muito tarde.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Emails daqui - Berlin

um sol belissimo la fora. acabei de voltar de um sushi com amigo.
vontade de escrever assim mesmo, ta, em minusculas e sem acento. to de ferias - duas semanas - desde segunda. vim pra ca - berlin - pq daqui sai meu voo hoje pra londres. visitar amigos. passear. ver a cidade numa outra estacao. bacana. tem um esquilos gigantes em st james park, ja foi la? e tem uma velha que leva amendoins pra eles e eles enterram mesmo em algum lugar, pra mais tarde. e eles nao carregam nenhuma culpa por isso. por deixarem coisas pra mais tarde. ou serem precavidos. o que e uma ironia ne, porque de um lado tem uma galera que alerta que os dias mais dificeis estao por vir, que temos que economizar, pensar mais adiante, diploma, carreira, previdencia privada, seguro de vida. do outro lado, algumas pessoas frustradas e outras inspiradoras que gritam que a hora de cair no mundo eh essa, enquanto a gente nao tem condominio nem filho. e da aquela vontade de pegar a mochila e ir embora pra qqr canto. a gente chega acreditar que nao ha mal nenhum que nos pegue. a gente inventa um sonho qualquer, sei la, ser bailarina, e vai. mas as vezes penso que eh tudo meio metade, sabe, que tem essa coisa valente de ir atras do sonho, mas porra, tem aluguel, tem casa, tem contrato, tem danca que nao se quer dancar, tem machucado, fisioterapia, papel amarelo que levar pra diretora, tem que bucar (book) voo, trem, trocar dinheiro, tem que comprar um moletom novo pq ta frio ainda em londres, xampu e creme pequeninos de levar na bagagem de mao, ob, cade meu prendedor de cabelo? tem que fazer caber tudo na mala, tem que ter passporte!!!! nao pode esquecer nada, tem que deixar o dinheiro pro aluguel, levar o lixo lá embaixo, desligar o computador, comer tudo o que tah na geladeira pra nao dar fungo... entende? e que alegria intima eh essa de quando a gente volta pra casa? o que explica a sensacao de alivio de chegar e deitar na propria cama, e saber onde ficam as coisas de limpeza, e onde encontrar seu vinho predileto no mercado sem ter que perguntar a ninguem? como eh que deve ser ir sem realmente ter ideia de quando e pra onde voltar? acho que nunca vou saber. nem sei se quero. so queria dividir essa aflicaozinha de pessoinha. humaninha. nada demais. amanha passa. amanha to em londres sabendo que semana que vem volto pra casa e pro trabalho e pro meu vinho na ala esquerda do mercado, atrás da secao de produtos de limpeza, na prateleira do meio, na parede da direita.
tinto, seco e italiano.

beijo.
me fala de voce.

sábado, 1 de maio de 2010

Nordhausen

Eu costumava acreditar no amor. Que era a coisa mais importante e bela do mundo.
As coisas mais importantes do mundo, na verdade, têm a importância que a gente dá pra elas, já escrevi isso. E eu dou importância demais às coisas que invento.
Eu acho que como todo bom clichê, perdi a fé no amor.
E não estou feliz por isso. Não estou feliz. Quero o amor de volta.